Egito


 

Os recentes acontecimentos no Egipto deram ocasião para revisitar as relações de Portugal com o Egipto.
As relações de Portugal com os países do Norte de África são antigas.
É na época moderna, principalmente entre os meados do século XIX e princípios do século XX que essas relações se intensificam pelo desenvolvimento do comércio marítimo e por via dos Consulados de Portugal existentes nessa região.
Com a abertura do Canal do Suez as relações de Portugal com o Egipto desenvolveram-se de uma forma contínua a nível de Consulados para defender os interesses dos comerciantes portugueses que por ali passavam. As embarcações portuguesas com destino ao extremo oriente e que não tinham de passar pela costa africana, utilizavam o Canal de Suez para não terem de dar a volta pelo Cabo da Boa Esperança.
No momento da independência do Egipto a representação portuguesa era constituída por uma Agência Diplomática em conjunto com um Consulado Geral de Portugal em Alexandria


 

Telegrama recebido da Agência Diplomática e Consulado Geral de Portugal em Alexandria datado de 16 de Março de 1922 para o Ministro dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

Prazer comunico a V. Ex.ª que segundo proclamação data ontem, Egipto constitui Estado Independente e o soberano Fuahd Primeiro usará títulos Majestade e Rei do Egipto. Rogo a V.Ex.ª autorização telegráfica apresentar pessoalmente monarca segunda-feira próxima as felicitações Presidente da República e Governo Português. Respeitosos cumprimentos, Jacques Suarez, Agente Diplomático e Cônsul Geral de Portugal em Alexandria
AHD 3ºP, A3, M151

Cópia de Despacho para o Agente Diplomático e Cônsul Geral de Portugal no Egipto datado de Lisboa 21 de Março de 1922.

Acuso recepção do telegrama de V. Srª de 16 do corrente anunciando proclamação da independência do Egipto e solicitando autorização para apresentar ao novo soberano as felicitações de Sua Excelência o Senhor Presidente da República e do Governo Português.
Em 18 deste mês foi expedido a V. Srª o seguinte telegrama que confirmo.
“Concedo autorização pedida telegrama V. Srª 16 corrente.”
Segundo a notificação, feita pelo governo Britânico, do reconhecimento do Egipto como Estado soberano e independente, a Grã-Bretanha não concederá, de futuro, protecção aos Egípcios em países estrangeiros excepto a pedido do Governo Egípcio e enquanto não haja representante do Egipto nesses países. Rogo a V. Srª se sirva informar-me oportunamente do procedimento desse Governo com respeito à protecção dos seus nacionais em Portugal.

AHD 3ºP, A3, M151.

Ofício da “Agence Diplomatique et Consulat Général de Portugal” datado de Alexandria 24 de Março de 1922 para o Ministro dos Negócios Estrangeiro em Lisboa.

Excellence,
J’ai l’honneur de remettre ci-joint à votre Excellence copie de la lettre du 22 courant que je viens de recevoir du Grand Chambellan, remerciant au nom de Sa Majesté le Roi d’Egypte S.E le President de la République et le Gouvernement Portugais, en réponse à votre dépêche de félicitations à l’occasion de la proclamation de l’indépendance de l’Egypte, que je me suis empressé de transmettre.
Veuillez agréer, Excellence, les assurances de ma haute considération.
Salut et fraternité
L’Agent Diplomatique et Consul Général en Egypte
Jacques Suarez.

AHD 3ºP, A3, M151.

Em anexo, cópia da carta mencionada no Ofício anterior.

Palais d’Abbdine le 22 Mars 1922.
Monsieur l’Agent Diplomatique,
Sa Majesté le Roi, mon Auguste Souverain, très sensible aux aimables félicitations et aux voeux que S. E. le Président de la République et le Gouvernement Portugais ont bien voulut vous charger de lui faire parvenir à l’occasion de la proclamation de l’indépandance de l’Egypte, m’a donné l’ordre de vous prier de vouloir bien leur transmettre l’expression de ses très vifs remerciements.
En vous remerciant de votre aimable entremise, je vous prie d’agréer, Monsieur l’Agent Diplomatique, l’assurance de ma haute considération.
[signé] Le Grand Chabelland Said Zouficar.

AHD 3ºP, A3, M151.