Declaração conjunta da Presidente von der Leyen, do Presidente Michel e do Presidente Sassoli por ocasião do 75.º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau

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«Esquecer os mortos é o mesmo que matá-los pela segunda vez». ― Elie Wiesel, Noite

Há setenta e cinco anos, as forças aliadas libertaram o campo de concentração nazi de Auschwitz-Birkenau. Puseram fim ao crime mais hediondo da história europeia, o extermínio planeado dos judeus na Europa. Seis milhões de judeus, crianças, mulheres e homens, foram assassinados, bem como milhões de pessoas inocentes, entre as quais centenas de milhares de ciganos, perseguidos devido à sua etnia. O preço foi extremamente elevado e nada poderia ser mais simbólico e constituir um maior triunfo sobre o nazismo do que comemorar esta vitória em Israel.

O revisionismo e a falta de conhecimento ameaçam a compreensão comum da singularidade do Holocausto que é necessária para traduzir a expressão «Nunca Mais» em ações concretas no presente. Ao reunir hoje os Chefes de Estado e de Governo em Jerusalém, juntamos as nossas vozes às de todos aqueles que estão determinados a não permitir que os extremistas e os populistas fiquem impunes numa altura em que tentam ultrapassar os limites pondo em causa, uma vez mais, a dignidade humana e a igualdade de todos os seres humanos.

O Holocausto foi uma tragédia europeia, um ponto de viragem na nossa história, e o seu legado faz parte do ADN da União Europeia. Recordar o Holocausto não é um fim em si mas antes uma pedra angular dos valores europeus. Valores de uma Europa centrada na humanidade, protegida pelo Estado de direito, pela democracia e pelos direitos fundamentais.

Estamos numa encruzilhada. À medida que o número de sobreviventes vai diminuindo, teremos de encontrar novas formas de recordar, integrar os testemunhos dos descendentes de sobreviventes. Eles recordam-nos que devemos estar atentos à crescente maré de antissemitismo que ameaça os valores que nos são caros: o pluralismo, a diversidade e as liberdades de religião e de expressão. Valores que defendem as minorias: todas as minorias, sempre. As comunidades judaicas contribuíram para moldar a identidade europeia e serão sempre parte integrante dela. Todas as partes da nossa sociedade, novas e velhas, devem integrar estas lições do Holocausto.

Temos o dever de estar ao lado das comunidades judaicas que se sentem novamente ameaçadas em toda a Europa, como aconteceu recentemente em Halle, na Alemanha. Todos os Estados-Membros da UE estão unidos na determinação de que qualquer forma de racismo, antissemitismo e ódio não têm lugar na Europa e que tudo faremos para as combater. As autoridades estatais, bem como os intervenientes de todos os setores da sociedade civil, devem unir-se para reafirmar a vigilância inabalável da Europa sempre e onde quer que os valores democráticos estejam ameaçados.

Não podemos mudar a história, mas as lições da história podem mudar-nos a nós.

Ursula von der Leyen, Charles Michel, David Maria Sassoli

Presidente da Comissão Europeia, Presidente do Conselho Europeu, Presidente do Parlamento Europeu

 

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