Congresso de Cambrai (1721-1724)

 

Países


Relações Diplomáticas:

  • O Congresso de Cambrai foi convocado na sequência da assinatura do Tratado de Haia (1720) que pôs fim ao Conflito da Quadrupla Aliança (1718-1720). As negociações preliminares tiveram início em 1721 e o Congresso acabou por ser encerrado em 1724.
  • Um dos pontos principais da agenda do Congresso de Cambrai, foi a promessa feita a Filipe V de Espanha e consagrada do Tratado de Haia, da entrega ao seu filho, Príncipe Carlos, dos territórios que integravam o Ducado de Parma, o Ducado de Piacenza e o Ducado da Toscânia. 
    Na prática, tratava-se de restaurar o equilíbrio europeu alcançado no Tratado de Utrech, mas posto em causa pela “política italiana” de Filipe V de Espanha e do seu Primeiro-Ministro Cardeal Alberoni.

Titulares:

  • Para o Congresso de Cambrai, D. João V nomeou dois representantes, o Conde de Tarouca e D.Luís da Cunha como Embaixadores Extraordinários ao Congresso de Cambrai. Não exerceram funções em Cambrai.
    O Secretário de Estado, Diogo de Mendonça Corte Real, nomeou também Marco António de Azevedo Coutinho, Alexandre de Gusmão e António Galvão de Castelo Branco

Observações:

  • Em 1717 a Espanha conquista Sardenha e no ano seguinte o Reino da Sicília. Apesar dos sucessos iniciais as demais potências europeias reunidas na Quadrupla Aliança (Sacro Imperio, França, Reino Unido e Províncias Unidas) congregaram esforços no sentido de contradizer as ambições de Filipe V de Espanha que reclamava territórios italianos para os seus filhos, bem como a devolução de Gibraltar e Minorca da Grã-Bretanha.
    No final foi assinada o Tratado de Haia (Fevereiro de 1720) que obrigava a Espanha a retirar dos territórios ocupados, a renunciar a qualquer direito sobre os Países Baixos espanhóis e Filipe V a renunciar à Coroa Francesa.
  • Em 25 de Abril de 1720, D.Luís da Cunha, após ser nomeado por D.João V, como Embaixador, parte para Madrid, levando como missão pressionar a Espanha a cumprir com as estipulações do Tratado de Utreque, incluindo o pagamento do montante estipulado no artigo XV do Tratado.
    As negociações foram complexas devido à resistência inicial do Primeiro Ministro espanhol, Cardeal Alberoni, mas acabaram por ser bem sucedidas, tendo o diplomata português obtido o pagamento do referido montante, bem como recebido instruções para proceder às negociações sobre os navios de Buenos Aires.
  • Outra questão que D.Luís da Cunha devia negociar era a cedência da Colónia de Sacramento, questão que foi longamente tratada pelos representantes portugueses em Madrid e também noutras cortes, como Viena e Paris, mas sem conseguirem alterar a posição espanhola. 
  • D. Luís da Cunha foi enviado com o carácter de Embaixador para França, juntamente com o Conde de Tarouca, a fim de assistir ao Congresso de Cambrai. 
    Existem cartas de D. João V para o Regente de França, o Duque de Orleans e para Luís XV, datadas de 11 de Outubro de 1720 em que se dá notícia de que D.Luís da Cunha, passava ao Congresso de Cambrai como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário.
  • No contexto de reagrupamento das potências europeias, Portugal optou pela neutralidade, escudando-se num conjunto de exigências demasiado pesadas para aderir a qualquer das partes e determinando, deste modo, a recusa dos interessados.
    Confirmou-se assim a política de neutralidade joanina no continente europeu na medida em que o soberano se apercebeu não haver vantagens no envolvimento activo de Portugal nos conflitos entre potências continentais e marítimas europeias. 
    A política de neutralidade tinha as suas vantagens, principalmente na defesa dos interesses atlânticos. No entanto, entre outros custos, foi causa também para o insucesso em garantir a nossa participação em Cambrai, devido à falta de força política de Portugal para obrigar a França e Espanha a aceitarem os representantes portugueses num acordo continental, com incidências oceânicas.
  • O Congresso de Cambrai terminou sem, no entanto, solucionar nenhum problema internacional e consagrou, mais uma vez, o fracasso das políticas ibéricas face à França e Inglaterra. A partir de então Portugal acabaria por enveredar por outra disputa, a luta pela paridade diplomática nas cortes estrangeiras e reforço da sua representatividade.
  • D. Luís da Cunha ainda permaneceu em Paris até Novembro de 1724.
    Em 14 de Novembro de 1724, D.João V escreveu a Luís XV, afirmando que o Enviado português se tinha detido algum tempo por o haver encarregado de alguns negócios do seu serviço.
    Entre outras questões que justificaram o protelamento da saída de D. Luís da Cunha de Paris, encontram-se s negociações sobre os privilégios que os franceses pretendiam nos portos portugueses, à semelhança dos holandeses e dos ingleses.